sábado, 5 de janeiro de 2008

Cinema Digital


Revolucionário na maneira de fazer e mostrar cinema, é considerado, pelos profissionais da área, algo tão importante e significativo quanto foi o advento do som ou a chagada da cor às telas cinematográficas, no inicio do século XX. Caracteriza-se por ser a arte de criar imagens em movimento utilizando o auxílio dos computadores e permite a facilidade e a melhoria da qualidade das reproduções e, talvez o ponto essencial, a economia de tempo e dinheiro nas suas produções, distribuições e projecções.

A (breve) história
Algures no século XX, possivelmente em 1957, tomou forma a revolução informática que dominou e continua a dominar um pouco pelos quatro cantos do globo. Esta situação levou à emergência de novas tecnologias que originaram uma nova perspectiva de futuro aplicáveis em todos os campos. A ideia principal são os avanços relacionados com o processar, armazenar e transmitir de informação e com o avançar dos anos, cada vez mais se caracteriza pelo contínuo desenvolvimento de software e a compactação progressiva de hardware. É neste ciclo que se integra a digitalização surgida a partir do manuseamento do computador e essencial ao seu desenvolvimento e que abre um leque de infinitas possibilidades. Mas foquemos-nos então, na animação digital que se caracteriza por animar de vida bonecos produzidos através do computador. Em 1964 exploraram-se diversos projectos industriais de engenharia, como o CAD-CAM que apenas faziam desenhos bidimensionais geométricos. Posteriormente desenvolveram-se outros projectos que levariam ao surgir da animação 3D que se baseia em cálculos matemáticos não simplesmente para desenhar a imagem mas também para definir as leis da física que sobre elas agiam. Estes cálculos incidem em cada ponto na tela, designados de pixel. Foi com o primeiro filme de Guerra das Estrelas, em 1977, do cineasta George Lucas que a animação por computador se tornou realidade pela primeira vez. Esta técnica foi usada para dar vida a fantásticos efeitos especiais gerados nos seus estúdios, Industrial Light and Magic. Mas somente em 1995 com Toy Story da Pixar a animação digital deixou de se esconder meramente nos efeitos digitais para ter o total protagonismo. A verdade é que neste novo sistema digital, o céu é o limite!

O processo
Substituí-se o processo fotoquímico dos filmes tradicionais que se apoiava nas película de 16 ou 35 milímetros, que se compunha de imagens fotográficas, as quais formavam o filme. A película ia para o laboratório onde passava pelo processo re revelar, criar efeitos e editar sendo, depois, projectada a uma velocidade de cerca de 24 fotogramas por segundo, criando a ilusão de movimento contínuo devido à persistência da visão.
Hoje trabalha-se o sistema fotoeléctrico que consiste na imagem a atravessar a lente de uma câmara não necessitando de uma película cinematográfica pois, a imagem é imediatamente convertida em sinal electrónico codificado como uma rede de pontos, designados de pixéis, aos quais são atribuídos um valor tonal (preto, branco, cinzento, cores diversas) representado através de um código binário (por exemplo, zero para o preto e um para o branco) conforme o exemplo:



A profundidade ou as caracteristicas que os pixéis adquirem numa imagem digital é-nos dada pelo número de bits necessários à sua definição sendo que para as diferentes possibilidades existem diferentes quantidades:
- uma imagem apenas a preto e branco representa-se por pixéis de 1 bit cada (0 e 1, exemplificado na imagem anterior);
- uma imagem em diferentes tons de cinzento representa-se por pixéis compostos por múltiplos bits (geralmente de 2 a 8), possibilitando várias combinações numéricas (por exemplo, 00 para o branco, 11 para o preto e, portanto, 01 para o cinzento claro e 10 para o cinzento escuro, etc.);
- uma imagem composta por cores representa-se por pixéis compostos por um minimo de 8 a 24 bits cada, possibilitando composições muito variadas (por exemplo, uma imagem de 24 bits – geralmente dividida em 8 bits para o vermelho, 8 bits para o verde e 8 bits para o azul– permite obter valores de 16,7 milhões de cores.
A gravação do som é feito através de um dispositivo electrónico designado AGC (Automatic Gain Control) que permite ao som captado, ser ajustado para um determinado nível consoante o ambiente. Assim, por exemplo, quando se instala o silêncio o dispositivo aumenta a amplificação do som captado e quando se movimenta num ambiente mais barulhento, o dispositivo diminui a amplificação do som captado. Outra das hipótese, é a utilização de um microfone independente, os quais existem com inúmeras especificações, adaptando-se às diferentes necessidades.
Neste processo, não é preciso filmar ou revelar, para ser editado. O material convertido em sinal electrónico é armazenado no disco de computador HD (hard disk), de forma a permitir toda uma edição rápida, fácil e económica. Para tal, utiliza-se um software especifico para o efeito desejado, como o MainActor (edição) e MainVision (composição), com os quais podemos inserir textos, compor diferentes cenas, utilizar inúmeras transições, filtros ou efeitos especiais.
Quando a edição fica pronta no arquivo do computador, é feita uma cópia final para exibição. Esta cópia pode ser directa de HD para HD, em fita, VHS, DVD, CD, DV, LD (Laser Disc), MD (Mini Disc) e outros. O resultado final é um filme de óptimas características onde a qualidade não se perde, com cores, contrastes e densidades aproximadas à dos filmes mais tradicionais.

Algumas vantagens
A criação de ambientes tridimensionais permitem uma maior versatilidade e flexibilidade no gerir do filme. Podemos explorar todos os ângulos em todas as direcções com o intuito de melhor escolhermos a cena; altera-se a luz, os formatos, as personagens; modelam-se ambientes; criam-se situações; recriam-se mundos fantásticos.
Sem dúvida que a maior vantagem deste processo consiste na possibilidade de se fazerem filmes de baixo custo na produção. Com o antigo sistema analógico as companhias viam-se ligadas a despesas avultadas com a gravação de fitas, distribuição e recolha de filmes para os cinemas em torno do globo, visto este ser um processo muito mais complexo e, consequentemente, caro. Com o advento desta nova tecnologia este sistema torna-se desnecessário. A produção das películas não conta mais com a imensidão de equipas que constituíam os sets de filmagens analógicos o que se traduz numa redução de custos salariais. Outras das despesas que se cortam são a construção de cenários, as luzes, os figurinos, a maquilhagem, o guarda-roupa e um sem fim de outras situações necessárias no sistema analógico que hoje se vêem quase que obsoletas. No que concerne a distribuição esta é feita por meio de download por satélite para um servidor da empresa que gere o cinema digital, ou apoio físico do DVD. Estas características não permitem que o filme se gaste como acontecia no sistema anterior onde quantas mais vezes o filme era exibido através das moviolas, mais tendia a desgastar a imagem. Com esta situação os produtores dos filmes podem então aplicar dinheiro na promoção do produto ou na concepção de outro projecto, por exemplo.
Esta perda de custos permite aos pequenos produtores, realizadores e distribuidores independentes afirmarem-se na comunidade cinematográfica. Com pouco orçamento podem fazer um grande filme o que não acontecia no sistema antigo. E isto inclui todos aqueles que são aspirantes a, na medida em que hoje, com uma câmara qualquer um pode realizar um filme passível de ser visto pelo mundo. Olhe-se o caso do YouTube. Neste sentido pode-se dizer que a digitalização veio organizar um modelo muito mais democrata e interactivo, onde, verdadeiramente, o cidadão comum é chamado a participar e apresentar a sua opinião numa dinâmica de contante troca. Esta troca não tem barreiras quer estejamos a falar de geográficas, por exemplo, pois os documentos são disponibilizados num sistema em rede conectado com o mundo global, quer linguísticas, onde existe a possibilidade fácil da manipulação e reprodução do filme em várias línguas diferentes.
Este revitalizar da forma de fazer cinema vai criar uma dinâmica muito mais florescente e, possivelmente, vai despertar mais pessoas ao cinema onde vão ter mais películas diversas por onde escolher a um ritmo mais elevado, naquilo que é hoje o revolucionar do século.
Curiosidade: Dizem os entendidos que o digital não superou o analógico num único campo: o da produção de imagens de grande qualidade expressiva e beleza.


Ana Mestre
Natacha Melão

Fontes:
http://www.curtagora.com/textos_02.asp
http://idgnow.uol.com.br/10anos/2007/09/12/idgnoticia.2007-09-12.7022747973/
http://idgnow.uol.com.br/10anos/2007/09/12/idgnoticia.2007-09-12.7022747973/paginador/pagina_1

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