sábado, 5 de janeiro de 2008

“Não podes apressar a arte” - Como a Pixar faz os seus filmes

Não podia ser mais verdade no que toca aos processos como se faz um filme nos estúdios da Pixar. Os artistas exigem o melhor de si em cada nova película e para tal, a arte não pode ser apressada, apenas aperfeiçoada. O resultado? Os filmes falam por si mesmo... Fantásticos! O processo utilizado? Algo complexo e demorado pois, para o resultado final, não se admite nada menos que a quase perfeição! Assim, cada filme tem de passar por quatro fases: 1. desenvolvimento, onde criam a storyline; 2. pré-produção, onde experimental desafios técnicos; 3. produção, onde fazem o filme; e 4. pós-produção onde aperfeiçoam o produto final. Espreitemos:

Fase 1- Desenvolvimento
Surge a ideia
Tudo começa com o surgir de uma ideia. O próximo passo é apresentá-la aos outros membros da equipa de desenvolvimento de uma forma dinâmica e activa, muitas vezes por meio de uma espécie de banda desenhada. O verdadeiro desafio é então, fazer com que a audiência acredite na ideia e veja nelas possibilidades de triunfar enquanto filme.

Rabisca-se a história
Um rascunho é um documento pequeno que contém todas as ideias principais que vão constituir a história depois de desenvolvidos. Por vez criam-se diversos rascunhos de uma mesma ideia com o intuito de se encontrar a medida certa entre ideias sólidas e possibilidades a explorar, que irá ser debatida e finalizada pelos argumentistas e artistas do storyboard.

Desenha-se a história
Os artistas fazem um storyboard que é como quem diz uma versão banda desenhada do filme. Esta fase é muito importante na medida em que é este storyboard que vai servir como a base sequencial da acção e dos diálogos que irão compor o filme na sua totalidade. Cada um destes artistas recebe um guião e/ou uma espécie de mapa onde se registam as mudanças emocionais das personagens e que precisam de ser vistas num esboço para perceberem se a cena resulta como um todo, quando integrada no resto das cenas. Usando estes desenhos como guias, os artistas criam a sua visão das sequências escritas e desenham-nas sendo que, posteriormente, expõem o seu trabalho ao director.

Ouvem-se as vozes
Primeiramente, os artistas da Pixar gravam uns “rascunhos” das vozes apenas para os artistas que irão fazer uma demonstração digital do storyboard. Só mais tarde, quando a história e os diálogos já estão trabalhados e se sente que chegaram a algo coerente e sólido é que são chamados actores de verdade para darem voz às diversas personagens. Mas estes têm que fazer muito mais que apenas dar voz, têm também que dar vida. Através do guião e da improvisação, os actores gravam inúmeras vezes uma mesma cena mas com entoações e formas de falar diferentes para se chegar à verdadeira personagem. Quando se encontra a melhor caracterização sonora é essa que vai ser animada.

Desenha-se um storyboard digital
Os artistas do editorial fazem um storyboard digital que não é mais que uma cassete que permite às sequências do storyboard já polido existirem sem terem um orador a contar a história. Um orador pode ser bem sucedido porque o storyboard é forte, então, esta cassete é um passo essencial no que diz respeito a validar as sequências e é, em primeira instância, a forma mais real em que as sequências são entendidas. Editores usam a informação para fixarem os desenhos e outros elementos de cada cena nas sequências.
Fase 2- Pré-produção
Cria-se a aparência
Com base nos rascunhos iniciais dos textos, dos storyboards e numa tempestade criativa e trabalho desenvolvido, o Departamento de Arte inspira-se e cria a ilustração do que serão as personagens e o seu mundo. Isto inclui muito trabalho como variações de cenários, de roupas, cores ou “guiões de cores”, que são impressionantes ilustrações a pastel que enfatizam a luz nas cenas.
Esculpem-se os modelos
Com base nos desenhos informativos ou detalhados feitos pelos artistas do Departamento de Arte, as personagens, cenários e outros são esculpidos à mão e depois passados a scanner para três dimensões ou então, modelados em 3-D directamente para o computador. Aos modelos são então atribuídos avars, que o animador vai usar para fazer o objecto ou personagem ganhar vida.

Vestem-se os cenários
Depois dos cenários serem construídos em 3-D têm de se tornar credíveis. Para tal há que enchê-los com aquilo que ele pedir como cadeiras, brinquedos, árvores, carros, prédios, lagos ou outros. Os artistas que se dedicam a este sector trabalham em grande proximidade com o director para garantirem que a sua visão para o ambiente está a ser realizada.

Filmam-se cenas
Após a história ter sido convertida em cenas 3-D, é a vez de outra equipa actuar. Esta coreografa as personagens nos cenários e usa uma câmara virtual para criar as filmagens que captam as emoções e os pontos de cada cena. Muitas vezes esta equipa produz múltiplas versões de uma mesma cena com o intuito de apresentar ao Departamento Editorial mais que uma escolha e escolherem aquele que mais contribui para a história do filme. Assim que a cena for editada, a versão final vai ser animada.

Animam-se as cenas
Ao contrário da animação tradicional, onde é necessário que os artistas desenhem e pintem as filmagens, o método digital não respeita isso. Porque as personagens, os modelos, as filmagens, os diálogos e o som estão prontos, é necessário dar-lhes vida. Neste sentido, os animadores da Pixar usam o software para coreografar os movimentos e as expressões faciais pedidas em cada cena. Conseguem-no fazer usando as utilizações do computador e as avars das personagens para definirem formas chave. O computador cria então,o “entre frames” que o animador ajusta depois como mais for necessário.

Moldam-se as cores
A forma é determinada pelo modelo e a cor da superficie e textura é determinado pela shader. Este processo é realizado através de shaders, programas de software que permitem a variação complexa da cor. Por exemplo, este processo permite a mudança de cor sob diferentes luzes, como os reflexos nos olhos polidos de Woody (personagem de Toy Story).
Molda-se a luz
Cada cena ganha novo fôlego com o uso de luz digital. As luzes são inspiradas a partir dos guiões de cores apresentados pelo Departamento de Arte, servindo para preencher e criar ambiente sendo todas criadas com o especial intuito de ditarem o ambiente e disposição de cada cena.

Fase 3- Produção
Unem-se as partes
Toda a informação é transferida para ficheiros que compactam as filmagens- cenários, cores, movimento das personagens, e todas as outras informações- numa única frame de filme. A máquina que faz isto na Pixar é um enorme sistema computorizado que interpreta a informação e incorpora numa só parte da película. Cada frame representa 1/24 segundos no ecrã e demora cerca de seis horas a ser compactada, embora algumas levam ainda mais tempo, por exemplo noventa horas!

Fase 4- Pós-produção
Dão-se os retoques finais
O Departamento Editorial vê diversas vezes a película e acrescenta-lhe a banda sonora e outros efeitos de sons, enquanto os efeitos de animação adicionam os efeitos especiais e o Departamento de Fotografia Cientifica converte as frames digitais em filme ou num suporte apropriado para a projecção digital.


Ana Mestre

Fonte: http://www.pixar.com/howwedoit/index.html

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